Rumo ao Alvo (Inicio: Março 2008)

terça-feira, 6 de maio de 2008

Mudança de estratégia

Estive a pensar na razão disto tudo e cheguei a uma hipótese. Talvez tenha voltado a produzir insulina a mais porque o nosso corpo quer sempre voltar ao estado anterior. Ele não entende que as banholas nos fazem mal. Só entende que tem que armazenar e quando começa a perder as reservas acha que tem que compensar. Como se eu não tivesse reservas para dar e vender. rss Portanto, vou fazê-lo entender que o seu novo peso é este, antes de me preocupar com mais perdas.

A alimentação segue da mesma forma. Há uns tempos escrevi que ia começar a reajustar as quantidades do que comia. Percebi que estava a perder peso muito rapidamente e, portanto, tinha que comer mais, entre outras coisas, para não descer o metabolismo. Fui aumentando as quantidades gradualmente até chegar ao ponto de não perceber como podia continuar a perder peso. Se eu comesse assim antes, estaria a aumentar e não a perder. Só posso concluir que o meu metabolismo começou a querer regressar a um estado normal, à medida que fui desintoxicando do trigo, lacticínios, etc. Portanto, estou a alimentar-me muito bem, não excluí grupo alimentar algum (excepto os lacticínios, que já estavam excluídos antes e que compenso comendo mais proteínas) e não faz sentido comer mais. Apenas controlar rigorosamente os horários. A agenda vai tocar a cada 2,5 horas para não me distrair.

Vou caminhar religiosamente para compensar a alimentação durante a noite. Recomecei ontem. O objectivo desta semana não é perder, mas manter o peso. Depois logo se vê. A elíptica voltou a parar até às hipoglicémias desaparecerem.

(estou aqui a resistir à vontade de destilar uns palavrões..mas isso devem ser as horas de sono em falta..vou poupar-vos da minha faceta mais brejeira ;))

Menos mal..

Afinal a balança não quis que eu mexesse na reguinha. É uma gaja porreira. rs Tinha só as tais 800g a mais. Se é que tinha ...Não consigo ter a certeza do peso. Em 5 horas e tal em que estive deitada levantei-me 2 vezes para comer. À terceira desisti e não me deitei mais. Portanto, nunca estive verdadeiramente em jejum.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Eu tenho opção

Mesmo fazendo tudo certinho, haverão sempre momentos em que o meu corpo me apronta destas. Mas serão situações pontuais. Portanto, tenho é que me focalizar naquilo que eu posso alterar de verdade: horários das refeições, a minha alimentação e a minha cabeça.

A verdade, é que eu já tinha cabeça de gorda mesmo quando era magra. Já me alimentava mal, já descontava em comida quando me sentia aborrecida, entediada, ansiosa, etc. Nunca aprendi o equilibrio. Ia funcionando a estratégia da compensação e a minha vontade em não me deixar engordar muito. Depois adoeci ( e não me refiro às hipoglicémias, essas já vinham de antes), passei também a uma vida mais sedentária por causa de uma lesão, o peso começou a subir, senti-me profundamente infeliz com um série de outras coisas que aconteceram ao mesmo tempo, desinteressei-me por tudo o que eu podia ter controlado e, mais tarde, abandalhei à séria. Na verdade, tenho que assumir a triste realidade: acabei por me desinteressar de mim mesma. O resultado está na réguinha acima. Até passei a comer coisas que antes raríssimas vezes comia, ao bom estilo de perdida por cem perdida por mil. Coisa mais idiota para se pensar, n é?

Ninguém engorda do ar, certo? O nosso corpo pode dar uma grande ajuda se decide "avariar", mas essa coisa de se engordar muito por doença costuma ser uma bela treta. Daquelas com que as pessoas se enganam a elas mesmas. Já a ouvi de outras pessoas com problemas metabólicos ou outros. A minha opinião é: pode não se conseguir evitar aumentar uns kilos (aqui a batalha pode ser mesmo inglória), mas não quando se fala em aumentos de 30 ou 40 ou 50 ou 60 kg. Isso também depende da nossa vontade, das nossas escolhas alimentares e de sermos ou não sedentários. Depende de nos esforçarmos ou não para contrariar essa tendência que o nosso corpo tem naquela altura. Posso estar enganada. talvez hajam excepções. Afinal não há regra sem excepção. Mas, a verdade é que ainda não conheci ninguém que diga que engordou porque tem problemas de saúde e que se alimente correctamente ou mexa devidamente o rabo da cadeira. No que me respeita, engordei uns kilos inicialmente, mas só comecei a engordar brutalmente no momento em que não quis saber, deixei andar e ainda passei a comer com frequência o que me apetecia e na quantidade que me apetecia.

Agora é preciso reverter o processo. E só conheço uma forma: Mudar a minha maneira de me relacionar com a alimentação e o meu corpo. É esse o meu desafio.

No último post, ofereci-me o momento da lamentação. Mas agora, acabou. De volta à luta e toca de voltar à boa disposição. Não vale a pena lamentar-me pelo que eu não posso alterar. A insulina descompensou, azar. Em pouco tempo, volta ao sitio. O resto só depende de mim e tudo o que depende de mim está nas minhas mãos mudar.

Mudar não é fácil e, como em todos os processos de mudança, emagrecer através da reeducação envolve momentos de dor e angústia. Esses momentos dão-nos a oportunidade de repensar, de restruturar e são essenciais para que possamos crescer. Para mim, R.A. representa isso mesmo: um processo de crescimento. Há momentos de angústia, mas também o imenso prazer das conquistas, de evoluir, de crescer. Aí eu posso escolher. E eu quero assumir as rédeas do meu destino. Não posso passar a vida a lamentar-me. Eu tenho escolha. Portanto, escolho, sim. Escolho mudar. Escolho viver melhor. Escolho-me a mim.

E o resultado chegou...

Pois é, hoje vi o resultado das hipoglicémias na balança. Estavam lá os 800g que tinha perdido, que ainda não tinha registado e mais 200g do último kilo que registei aqui: um kilo ganho estupidamente. Fiquei triste, confesso. Vou dar o desconto de hoje ter acordado muito inchada e, portanto, é provável que não tenha que mexer na reguinha por causa de 200 g. Amanhã confirmo.

Se tivesse feito asneiras nem hesitava. A régua saía do sitio já e nem me stressava. Mas a minha alimentação está tão certinha. Não cedi a tentações uma única vez e nem ando com grande vontade de o fazer. Portanto, o primeiro sentimento que tive a olhar para a balança foi o de que o meu corpo passa a vida a trair-me. Se não é pelo cu é pelas calças. Agora que os problemas de saúde provocados pelas intolerâncias alimentares começam a melhorar e deixaram de contribuir para o aumento de peso, o corpinho decide descompensar a insulina à séria como nos velhos tempos. Enfim...

Depois percebi que não tem sentido stressar-me por causa de uma situação pontual. É só continuar a fazer tudo certinho, lembrar-me sempre que se estar numa ou noutra refeição, pontualmente, 3 ou 4 horas sem comer pode não ser um problema para as outras pessoas, para mim é um risco grande. Portanto, não me posso distrair com estas coisas. A responsabilidade de me cuidar é minha. Tenho mesmo que me organizar e pronto. Em pouco tempo, a balança volta a colaborar.

domingo, 4 de maio de 2008

Índice glicémico dos alimentos e emagrecimento

Esta é uma boa oportunidade para falar na importância de escolher alimentos com indíce glicémico baixo quando se quer emagrecer (ou manter o peso). Em conversa com vários amigos, concluí que poucos conhecem a razão dessa recomendação e, por isso, valorizam pouco esse aspecto quando escolhem a ementa. Como estou muito cansada e também ainda meio aluada com o dito festim de insulina, deixo o tema para o próximo post. Fica aqui já para não me esquecer.

Corpo 2 vontade própria 1

Pois é, a parte boa é que o corpinho não comandou tudo. Numa situação de hipoglicémia tão resistente, o resultado normal seria comer que nem uma besta para aliviar a sensação de fome incontrolável e fazer o estômago parar de roncar mais um bocado. Isso não é a solução certa para acabar com a hipoglicémia, mas, no momento, alivia essa parte da sintomatologia e, mais ainda, o efeito psicológico que a fome descontrolada cria em mim. O outro resultado seria borrifar-me para a dieta, borrifar-me um bocado também para as intolerâncias alimentares e comer tudo o que encontrasse pela frente que realmente me pudesse dar algum prazer: alimentos favoritos, comida bem calórica, tudo com muita gordura. E tudo em quantidade desmedida. Mas, desta vez, não. Mantive-me no controlo da situação, comi muito mais do que gostaria (pouco de cada vez, mas MUITAS vezes), mas na medida adequada à situação e só comi alimentos que fazem parte desta etapa: tostas de arroz integrais, atum ao natural, paio de peru, fruta e iogurtes de soja. Percebi que, por enquanto, a minha motivação está de pedra e cal na R.A. Isso é uma excelente notícia. Sem falsos pudores, digo que me sinto orgulhosa por isso.

A má notícia é que tentar perder peso até à glicémia estabilizar por completo é uma tarefa quase inglória. Para além, da água com açúcar ou de ter que chupar rebuçados (também ODEIO rebuçados) ser contra-producente quando se quer perder peso, a actividade da insulina em demasia no sangue é antagónica à ideia. Já me posso dar por satisfeita se não engordar à conta disto.

sábado, 3 de maio de 2008

Corpo VS vontade própria

Por vezes, o meu corpo torna tudo mais difícil. Ontem chegaram forte e feio as hipoglicémias. Para quem não sabe, é falta de glicose (açúcar) no sangue. A alminha aqui produz insulina à bruta e volta e meia tem destas coisas. Passei a noite em claro, fui literalmente obrigada a comer muito mais do que qualquer organismo em estado normal precisaria àquela hora e a ingerir água com açúcar de X em X tempo até conseguir controlar a situação. Anda aqui a gaja a conter-se, a comer moderamente, a ignorar alimentos mais calóricos e depois vem o corpinho dizer que tem que mandar açúcar para dentro um monte de vezes (e eu ODEIO água com açúcar) e levantar sistematicamente para ir comer (sempre com o estômago a roncar que nem um porco) quando o que se quer mesmo é dormir. É preciso uma pachorra! E isto aconteceu porque?

1. Há uns dias falava da crise de vesicula, de me ter obrigado a ingerir parte do jantar e ter ficado bem pior depois. Se calhar, para alguns foi estranho eu dizer que até o cheiro da comida me criava náuseas e mesmo assim tentar comer. Tipo: podia ser uma boa oportunidade para a mulher perder mais umas gramitas e obriga-se a comer?! rs Eu sabia que tinha comido menos naquele dia e que tinha espaçado mais os horários das refeições porque é muito difícil comer quando até o cheiro dá vontade de vomitar. Mas eu sei que respeitar durante muito tempo o aparelho digestivo, que me diz que não estou em condições de comer, me traz facilmente outro custo maior: as hipoglicémias. Prefiro vomitar 10 vezes a ter 10 minutos de uma crise de hipoglicémia e passar 10 noites em claro agoniada do que uma em claro com hipoglicémias. Para além de que a segunda é mais perigosa. Mas com uma indisposição tão grande acabei mesmo por não conseguir me alimentar como devia. Nesse dia a responsabilidade foi do meu corpo e não minha.

2. Não tenho juízo.Na verdade, mentalmente apetece-me chamar de besta para baixo. rs Mas pronto, isso devem ser mais os nervos à flor da pele com mais uma noite sem dormir e com a glicémia ainda por estabilizar. Portanto, ficamos assim: não tenho juízo. Depois da crise de vesicula de Terça-feira acalmar tinha que ser muito rigorosa com a alimentação já para prevenir as hipoglicémias. Mas a alminha aqui é despassarada, desorganizada e desorienta-se com facilidade. Esqueci-me completamente de fazer as compras. Acabaram-se as tostas de arroz, iogurtes e mais uma série de coisas. Não consigo comprar em qualquer lado alimentos que incluam os hidratos de carbono (ou carboidratos, no Brasil) complexos -fundamentais para manter a glicémia estável - e que não tenham trigo. Entre as refeições, praticamente só comi fruta. Dia a seguir: feriado de 1 de Maio e, claro, estava tudo fechado. Nem me lembrei. Comi arroz integral nos lanches até acabar também. Sexta feira de manhã, sem alternativas, comi sopa de legumes ao pequeno-almoço. Mais umas horas sem comer até ir às compras, até porque ainda achei que havia algo mais urgente para tratar primeiro. Tinha que dar asneira.

Fica aqui a minha estupidez escarrapachada a ver se eu não me esqueço!

Lições que retiro daqui:

1. Uma alimentação equilibrada exige antecipação e organização
2. A grande maioria das coisas que nos parecem muito importantes e urgentes no dia-a-dia podem perfeitamente esperar. Cuidar de nós não é nem pode ser a segunda opção.
3. Devemos aprender a conhecer e a respeitar sempre os limites do nosso corpo

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Ser criança

O "piquitito" trouxe a Nintendo e tem jogos no PC.
Hoje de manhã comprámos um carrito do cars. Mas o que tem feito as delícias dele são as latas de atum que comprámos antes de irmos almoçar.Umas azuis outras amarelas.
Aquelas latas já foram carros, jogadores de futebol, camiões e aviões.
Todo um mundo de sonho e fantasia, aqui, ao meu lado.
Há coisa mais linda que cabecinha de criança?! :)

Quero laurear a pevide

No PC ao meu lado está um dos meus sobrinhitos emprestados.
A Pré-escola fechou hoje, por isso, vai passar o dia todo comigo.
Um dia de sol maravilhoso e este puto, que é a minha perdição, aqui.
Não me apetece fazer nenhum.
Quem dera ter 6 aninhos também...íamos já curtir para o parque infantil. ;)

Aiiiii....Que preguiiiiiçaaaaa!!! rs
Mas não descurei a alimentação. Tudo sobre rodas e sem esforço algum.
Estou em boa fase. :))

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Versão telegráfica rs

...para variar..resumo:
O jantar foi óptimo. Comi bem, mas sem abusos.
A conversa foi óptima.
Diverti-me imenso. Alimentei a alma.
Deitei-me de manhã. Acordei pouco depois.
Não estou em mim. Morta de sono. Sinto-me um zombie.

Coisas que não nos fazem bem

Não dá para esperar para emagrecer e revermos aqueles amigos que ainda não nos viram balofas e, por isso, morremos de vergonha.
Não dá para esperar para emagrecer e nos cuidarmos, passar um creme, usar uma maquilhagem ou comprar uma blusa nova.
Não dá para esperar para emagrecer e frequentarmos este ou aquele lugar.
Não dá para esperar para emagrecer e encontrarmos forças para melhorar o resto da nossa vida.
Não dá para esperar para emagrecer para voltar à vida.
Não dá para esperar para emagrecer para (re)aprendermos a gostar de nós.


Eu fartei-me de esperar.
Só quando me consciencializei de que o processo era o inverso é que consegui passar do "TENHO QUE perder peso" ao "QUERO perder peso".

Coisas que nos fazem bem

O gajo cá da casa é uma daquelas pessoas mais para o reservado. Mais para o calado também, o que nos torna logo pessoas completamente diferentes. rs Não obstante, as nossas (grandes) diferenças damo-nos bem. Com problemas como todos o casais, volta e meia com discussões, mas, no geral, temos uma boa relação. Somos amigos, companheiros, apoiamo-nos mutuamente e as zangas costumam durar pouco. Acho que faz parte dos ajustes que se têm que fazer quando começa a ser necessário gerir duas vontades para encontrar uma via comum.

Ele não é aquele tipo de homem que verbalize com facilidade os afectos. Devem-se contar pelos dedos das mãos as vezes em que eu ouvi, em 3 anos e tal de relação, o quanto gosta de mim ou mimos do género. Também nunca senti muito essa falta. Ele sempre foi muito carinhoso. Anda sempre à minha volta com mimalhices, preocupa-se com o meu bem-estar e é um beijoqueiro do pior. É a personalidade dele. Não diz, mas age e mostra os afectos à sua maneira. Não faz sentido esperar qualquer outra coisa porque eu sempre o conheci assim. Já eramos amigos há muito tempo antes de termos uma relação amorosa, portanto foi mais novidade para mim o lado dele mimalhão do que o lado mais reservado. Agora que contextualizei a situação, já é fácil perceber a minha surpresa quando há 2 dias se vira para mim (a propósito da mudança radical na alimentação e dos kilos perdidos) e diz: "estou muito, muito orgulhoso de ti". Oh pá...soube tão bem.

É bom quando as pessoas à nossa volta (principalmente, aquelas mais importantes para nós) reconhecem o nosso esforço e nos incentivam. É estimulante. Mas não devemos fazer o processo depender desse incentivo. Acho que é importante percebermos que se perdemos peso tem que ser, acima de tudo, por e para nós mesmos. Para nos sentirmos bem. Portanto, somos nós que temos que assumir as rédeas da situação.

É preciso ter atenção às desculpas que damos a nós mesmos. Aquela coisa do não vou caminhar porque o não-sei-quantos ou a não-sei-quantas não anda com paciência para me acompanhar e não me apetece ir sozinha. Ou não cuido da minha alimentação porque lá em casa há um monte de alimentos calóricos e mais ninguém tem que ou quer fazer dieta. Não vou emagrecer agora porque ando numa fase com tanta coisa para fazer e não tenho tempo para me cuidar. Etc etc etc. As desculpas são milhentas, mas não passam disso: DESCULPAS. Desculpas para não encararmos a realidade. Para não nos confrontarmos com o mal que andámos a fazer a nós mesmos. Para não assumir a responsabilidade, gerir a culpa e passar adiante.